'Vozes dos escritores' ressaltam diversidade da produção literária do Pará
As "Vozes dos escritores paraenses" guiaram a programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes nesta quinta-feira (3). A roda de conversa “Entre rios e letras: a diversidade da produção literária paraense” proporcionou o encontro dos professores Ernesto Boulhosa, Wildson Queiroz e Zenaira Martins na Arena Multivozes.
O professor, historiador e escritor Wildson Queiroz é natural de Alenquer, município do Oeste do Pará, fundador e atual presidente da Academia Alenquerense de Letras. Segundo ele, a diversidade da literatura paraense se dá pela multiplicidade cultural do Estado. “Tem um ditado que diz que nós somos de um país que se chama Pará. O fato de o Pará ser tão grande territorialmente, ter uma população muito rica em cultura, isso faz com que nós possamos ter diversas leituras, diversas fontes de pesquisa, estilos de escrita. Eu penso que isso é uma marca, uma identidade nossa como paraense, e faz com que a nossa literatura se destaque de outras porque ela é muito ampla. E por ser muito ampla consegue contemplar várias figuras, linguagens, manifestações culturais. Acredito que isso é fundamental”, disse Wildson Queiroz.
Ancestralidade - Além do trabalho como escritor e professor, Ernesto Boulhosa é engenheiro agrônomo, e levou a experiência com a terra para o centro da sua escrita. “O chamado do que eu escrevo é para gente parar um pouco e voltar para o que realmente importa, a nossa origem, a nossa ancestralidade. Uma vez eu li o artigo de um francês que dizia que a Amazônia seria o centro do mundo daqui a 30 anos. Não é daqui a 30 anos: já somos o centro. Nós percebemos uma realidade difícil de desmatamento, aquecimento global. Precisamos valorizar e interagir com a natureza, porque a natureza é vida”, afirmou.
A mediação do bate-papo foi realizada por Zenaira Martins, professora, escritora, mentora e atual presidente da Academia Castanhalense de Letras. “Eu recebi um presente de estar mediando dois mestres da literatura amazônica e poder vivenciar olhares, experiências e saberes deles. Foi muito rico. Assim como foi rico para mim, tenho certeza que foi pra toda a plateia”, avaliou Zenaira.
Sobre o fazer literário, a mediadora contou que, apesar das dificuldades, acredita que vale a pena persistir, e aproveitou para parabenizar a realização da Feira do Livro. “Não é fácil, mas eu acredito, sim, que nós precisamos continuar e fazer com que muitos também segurem essa bandeira. Se nós desistirmos, como continua? Enquanto escritora e leitora, eu acredito piamente que o mundo da leitura transforma pessoas, e eventos como a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes são essenciais para fomentar a nossa produção literária”, ressaltou.
Para todos os públicos - Na plateia, a turismóloga Carina Miranda assistiu ao bate-papo e comprou alguns livros. “Eu vim outro dia para trazer as minhas filhas. Hoje parei um pouco para assistir à programação, e está sendo muito bom. Agora, a conversa foi muito interessante. Os autores paraenses estão muito bem representados, e as atividades são bem variadas. É assim, para todos os públicos, todas as idades. É maravilhoso!”, disse Carina Miranda.
Além do dia dedicado aos autores paraenses, a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes possui um espaço fixo para que os autores paraenses ou radicados no Pará possam lançar, comercializar e autografar seus livros. O ponto do autor fica no centro do Hangar, na área dos estandes. Mais de 160 escritores passarão por lá até o final do evento, no domingo (06).
Texto: Juliana Amaral - Ascom/Secult
Por Juliana Amaral (Feira do Livro)




