Literatura amazônica celebra territórios e histórias na Feira Pan-Amazônica do Livro
Bate-papo com o escritor Airton Souza e a professora Marcela Castro destacou as realidades do Pará e a capacidade que tem a literatura de aproximar leitores por meio das experiências humanas
]A literatura como espaço de reconhecimento, pertencimento e encontro entre realidades amazônicas distintas foi o centro do bate-papo entre o escritor paraense Airton Souza e a professora Marcela Castro, realizado nesta quinta-feira (3), durante a programação da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar, em Belém.
Reconhecido por sua produção literária e por levar para suas obras personagens, territórios e experiências da Amazônia, Airton Souza destacou a importância da valorização de sua história e vivências na região.
“O nosso trabalho é de linguagem ficcional, mas também é um trabalho que passa por esse Estado, por essa região. Vir à Feira Pan-Amazônica tem um grande significado para mim. Significa o reconhecimento deste trabalho, por esta terra”, disse o escritor.
Processo criativo - Durante a conversa com o público, Airton Souza compartilhou um pouco de sua história e do processo que o leva a transformar experiências pessoais e coletivas em matéria literária, construindo narrativas que dialogam com diferentes públicos.
Para o escritor, compartilhar essa trajetória também significa estabelecer uma conexão com leitores que encontram, em suas histórias, elementos de suas falas basicamente sobre o nosso trabalho ligado a essa região”, ressaltou.
Airton Souza acredita que muitas das pessoas que escutam sua história se reconhecem nas dificuldades enfrentadas e na possibilidade de superar contextos de extrema pobreza, e assim alcançar novos espaços por meio da educação, da cultura e da literatura. “São pessoas que basicamente vieram do mesmo lugar que eu vim, enfrentaram as mesmas dificuldades que eu enfrentei e que, de algum modo, conseguiram chegar a alguns lugares. As pessoas se reconhecem em mim, nas minhas falas”, afirmou.
Amazônia que vai além - A professora Marcela Castro conduziu a conversa com o escritor e destacou a diversidade de territórios e experiências que compõem a Amazônia paraense. Para ela, o encontro com Airton representa uma celebração da literatura produzida a partir da região e da possibilidade de ampliar o olhar sobre as diferentes Amazônias existentes dentro do Pará. “O encontro hoje foi a celebração da literatura escrita por uma Amazônia, de uma Amazônia que muitas vezes não se reconhece”, ressaltou.
Marcela Castro chamou atenção para a tendência de concentrar o olhar sobre a região de Belém, deixando em segundo plano outras realidades que também constituem o Estado. Segundo ela, “é muito recorrente que nós tenhamos um olhar para Belém, para essa parte do nosso Estado, mas esqueçamos que esse Estado é muito grande. Não à toa, falamos que nós moramos em um país que se chama Pará”, acrescentou.
Nesse contexto, a trajetória de Airton Souza, natural de Marabá, no Sudeste paraense, ganha uma dimensão ainda maior. O escritor apresenta, por meio de sua literatura, uma perspectiva diferente daquela tradicionalmente associada à produção cultural da capital.
Marcela também relacionou o trabalho do escritor ao território retratado em seu segundo romance, "O mar é longe". A narrativa se aproxima de uma realidade geográfica e cultural que dialoga com o Maranhão, Estado que, assim como o Pará, integra a Amazônia Legal.
Para a professora, essa diversidade territorial não impede que leitores de diferentes lugares encontrem pontos de identificação nas obras de Airton Souza. “Independentemente de onde o livro tenha sido escrito, ele sempre vai falar sobre as dores humanas. É isso que provoca o nosso reconhecimento ao ler uma obra”, observou.
Território e leitor - O professor de Redação, Fernando Martins, participou do bate-papo e destacou o vínculo que a narrativa de Airton provoca em quem a conhece. “Eu conheci o trabalho do Airton ano passado, durante um evento que antecedeu a COP 30 (conferência mundial sobre o clima, realizada em Belém), e fiquei apaixonado pelas coisas que ele falava, porque ele fala de um modo tão nosso de vivências que a gente tem aqui em Belém, na região amazônica como um todo. Me deixa muito tocado o que ele falou agora sobre como sonhar é possível para a gente continuar a viver essa esperança de seguir com uma vida melhor”, concluiu.
Texto: Ascom/FCP
Por Comunicação (Feira do Livro)



