Poesia, dança e música para valorizar o regionalismo e combater a evasão escolar

Apresentações de escolas das redes municipal e estadual destacaram cultura, educação e participação dos estudantes na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes


A programação da manhã desta quinta-feira (3), da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém, reuniu estudantes de escolas das redes municipal e estadual na Arena Multivozes, com atividades envolvendo poesia, dança e música. Entre as atrações estiveram o “Sarau de Poesia Antirracista”, com alunos das escolas República de Portugal e Maria Stelina Walmont; o “Slam Pai D’Égua” e “Danças e Falares da Amazônia”, da Escola Eunice Weaver, e “A Música como Instrumento de Combate à Evasão Escolar”, da Escola Dom Pedro I.

As apresentações mostraram trabalhos desenvolvidos dentro das escolas, abordando temas como diversidade, cultura paraense e educação. Utilizando a poesia, a dança e a música, os estudantes dividiram com o público um pouco do que aprendem e desenvolvem durante as atividades escolares.

Cidadania - A primeira apresentação foi o “Sarau de Poesia Antirracista”, da Escola Municipal República de Portugal. A atividade reuniu 15 estudantes do 8º e 9º anos, que apresentaram poemas, leituras e jograis sobre o combate ao racismo.

O professor Gabriel Oliveira contou que o Sarau é um projeto realizado durante todo o ano na escola. “A ideia é que a gente consiga espalhar a literatura antirracista para o público que está presente na Feira do Livro. É um projeto que acontece todos os anos na escola”, informou.

Entre os estudantes, Alannys Borges participou cantando a música “Lágrimas Negras”. A aluna disse que ficou nervosa diante do público, mas tinha um objetivo bem definido. “Eu tentei transmitir a dor do povo negro, o que eles sofreram. Eu espero que as crianças aprendam desde cedo e que, quando crescerem, o racismo diminua. Na verdade, eu quero que desapareça”, ressaltou.

Tradição - Na sequência, a Escola Maria Stelina Walmont levou ao palco uma apresentação de capoeira Angola. A atividade reuniu música, instrumentos e movimentos da capoeira, mostrando a prática como parte da cultura e dos conhecimentos passados entre gerações.

A professora Leca Marinho desenvolve há mais de 20 anos um trabalho com crianças e adolescentes no bairro da Terra Firme. Para ela, a participação na Feira também foi uma forma de mostrar os conhecimentos da capoeira. “A nossa intenção é trazer a capoeira como uma fonte de sabedoria, uma lógica social e antirracista. É uma literatura viva, da nossa cor e da nossa prática diária”, afirmou.

O mestre de capoeira Josias, que também atua há cerca de 20 anos no bairro da Terra Firme, reforçou que o trabalho vai além dos movimentos. “A capoeira não leva só o movimento do corpo: ela leva a educação do corpo e da mente. A gente não fala só de capoeira. A gente fala que a criança tem que estudar. Estamos aí lutando com as crianças e envolvendo as famílias”, disse Mestre Josias.


"Paraensês" - A Escola Eunice Weaver também participou da programação com duas apresentações. No “Slam Pai D’Égua”, os alunos levaram ao palco expressões e modos de falar presentes no cotidiano paraense. Já em “Danças e Falares da Amazônia”, foi a vez do carimbó ganhar espaço na Arena Multivozes.

A professora Marília Cruz dos Santos explicou que o “Slam Pai D’Égua” trabalha com os alunos a valorização do jeito paraense de falar. “Por muito tempo, os falares paraenses foram criticados e sofreram preconceito. Hoje, as crianças estão se empoderando com o seu jeito de falar. O ‘égua’ e outras expressões fazem parte do dia a dia delas, e o 'Slam Pai D’Égua' vem para reforçar a nossa identidade vocabular”, reforçou.


O carimbó também entrou na atividade como forma de trabalhar a cultura local com os estudantes. “A gente traz a dança do carimbó e, com isso, resgata a nossa cultura. Trabalhamos os textos em cima das danças e das letras das músicas paraenses”, acrescentou Marília Cruz.

Música e presença - A Escola Dom Pedro I apresentou o Projeto “Intervalo Cultural”. Por meio da música, o trabalho busca acolher os alunos, descobrir talentos e ajudar no combate à evasão escolar.

A diretora da escola, Miciko Assano, disse que o projeto também abre espaço para que os estudantes tenham mais participação dentro da escola. “O nosso projeto é o Intervalo Cultural. Ele tem o objetivo de combater a evasão, além de promover o acolhimento desse aluno na hora do intervalo. A gente revela talentos da escola, e isso faz toda a diferença, porque ele se sente importante e protagonista juvenil”, informou a gestora.

Denise Santana integra o projeto há oito anos, e participou da apresentação cantando. “É um projeto muito importante para os meninos e meninas, e também para evitar a evasão escolar. Quero muito que isso seja implementado em outras escolas, para trazer crianças e adolescentes para cantar, se divertir e ver que, além de estudar, existe uma cultura imensa no Pará da qual eles podem fazer parte”, afirmou.

Além das apresentações das escolas, outras atrações passaram pela Arena Multivozes durante a manhã. A programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes prossegue até domingo (06), com atividades culturais e literárias para o público.

Texto: Jhuly Cavalcante, sob supervisão de Lorena Saraiva - Ascom/Secult

03/09/2026 18h31
Por Jhuly Cavalcante (Feira do Livro)