Roda de conversa na Feira Pan-Amazônica do Livro debate o protagonismo feminino na construção da paz

Debate defendeu o empoderamento da juventude e a transmissão de conhecimentos para fortalecer os laços comunitários e combater desigualdades



 A Arena Multivozes recebeu, neste domingo (6), a roda de conversa “O Protagonismo Feminino na Construção da Paz”, que reuniu a líder quilombola Valéria Carneiro e a mestra de cultura Laurene Ataíde, com mediação de Melissa Alencar. O encontro promoveu um diálogo sobre a atuação das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e pacífica, a partir de suas trajetórias, experiências e contribuições para a transformação social.

 


Entre os temas discutidos, estiveram os desafios enfrentados pelas mulheres e a necessidade de ampliar sua presença em espaços de decisão, diálogo e formulação de políticas públicas voltadas aos direitos humanos. A conversa também abordou estratégias para fortalecer uma cultura de paz nos territórios, tendo a cultura, o esporte e o lazer como instrumentos de inclusão e transformação, especialmente entre a juventude.

 


A mestra de cultura Laurene Ataíde falou sobre as dificuldades encontradas pelas mulheres para exercer o protagonismo dentro de suas comunidades. Para ela, a atuação feminina é fundamental para fortalecer os vínculos comunitários e criar ambientes mais seguros e acolhedores.


“Na prática não é fácil, mas temos que fazer, fazemos tudo por amor. Não é fácil manter a paz nos nossos espaços, porque o que vem de fora, às vezes, nos afeta. As nossas crianças precisam realmente ser tratadas com educação e amor. Temos que ter responsabilidade com o que fazemos e temos que fazer as coisas corretas. Não dá pra ter paz se você não fizer as coisas da maneira correta”, relatou a mestra.

 


Presidenta do Comitê Gestor do Fundo Quilombola Mizizi Dudu, Valéria Carneiro ressaltou que a criação do fundo representa um marco para a autonomia e a segurança das comunidades quilombolas. Segundo ela, a iniciativa também contribui para a regularização dos territórios e para o fortalecimento da proteção dessas áreas diante de invasões e outras ameaças. A acadêmica também enfatizou a importância da presença de mulheres negras, indígenas e quilombolas em diferentes espaços da sociedade, ampliando a troca de conhecimentos e experiências. Para Valéria, quem conquista maior acesso à educação e a outros espaços de formação deve atuar como multiplicador, incentivando outras mulheres e, principalmente, a juventude.

 


“Eu sempre falo que nós que conseguimos ter mais acesso, precisamos ser multiplicadores das boas ações. Nós temos feito esse papel, tentando empoderar cada vez mais mulheres. Antigamente a gente tinha um cenário, por exemplo, dentro da academia, de pessoas brancas e de mulheres mais velhas. Hoje a gente tem uma mistura dentro da academia, onde a gente tem mulheres pretas, mulheres brancas, mas também mulheres jovens. Eu acho que com o conhecimento é poder, então empoderar essa sociedade, sobretudo a juventude, é essencial”, finalizou a acadêmica.


A roda de conversa mostrou que a construção da paz também passa pelo fortalecimento das comunidades, pela valorização da cultura e pela garantia de espaços para que as mulheres possam participar, decidir e transformar suas realidades. A partir de diferentes trajetórias e saberes, as participantes reforçaram que educação, diálogo e respeito são fundamentais para construir uma sociedade mais inclusiva, justa e igualitária.

 


Texto por Yasmin Costa/Ascom Secult

06/09/2026 21h56
Por Yasmin Costa (Feira do Livro)