‘Vozes das Páginas às Telas’ debate conexões entre literatura e cinema no Pará

Rodas de conversa na Arena Multivozes, no penúltimo dia da Feira do Livro, destacam o potencial das histórias regionais na produção literária e audiovisual


No penúltimo dia da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, a programação "Vozes das Páginas às Telas" foi dedicada à literatura e ao cinema. A Arena Multivozes recebeu duas rodas de conversa, que promoveram reflexões sobre a produção cultural paraense. A primeira, “Os desafios e oportunidades do cinema paraense contemporâneo”, reuniu as cineastas Jorane Castro e Zienhe Castro, com mediação de Marco Antônio Moreira, para discutir o potencial e os desafios do audiovisual produzido no estado.

“Diálogos entre literatura e cinema” contou com a participação de Cássio Tavernard e Mayara Sanchez, com mediação de Andrei Miralha. O encontro abordou as relações e conexões entre as duas linguagens artísticas e como elas podem dialogar e se complementar.

Zienhe Castro disse que uma das principais oportunidades para o cinema paraense está na possibilidade de transformar as particularidades da Amazônia em narrativas capazes de alcançar diferentes públicos. “O que diferencia a produção cinematográfica de cada lugar é a sua identidade cultural. Eu acho que tem muito a ver com o território onde você habita, de onde você fala, do lugar que você fala, como você fala e como você vive essas histórias. O teu pertencimento ao território é que faz a diferença, e que produz uma diversidade cinematográfica brasileira tão grande. Sim, porque o Brasil é um país muito diverso”, afirmou a cineasta.

Particularidades - Jorane Castro ressaltou a importância de combater os estereótipos perpetuados pelo olhar estrangeiro sobre o território amazônico. Para a cineasta, divulgar os modos de vida, as histórias e as particularidades da região amplia as possibilidades para que roteiristas, diretores e produtores desenvolvam obras que valorizem a identidade local e, ao mesmo tempo, dialoguem com os cenários nacional e internacional.

“Os estereótipos nunca são bons. São uma visão que não representa, de fato, uma cultura. É muito bom a gente poder falar e as pessoas poderem se confrontar com a realidade, porque é, de fato, a realidade. Eu acho que é importante a gente falar. As pessoas precisam entender que existe uma outra maneira de pensar, de ver, um outro olhar do que está acontecendo”, frisou Jorane.

A aproximação entre literatura e cinema também foi apontada como uma oportunidade para ampliar a circulação de narrativas amazônicas. Cássio Tavernard destacou que essa relação faz parte da própria história do audiovisual, e passou por um longo processo de transformação até que as duas linguagens fossem compreendidas a partir de suas próprias características.
“Ao longo desse um século, o cinema se valeu das narrativas literárias. Na teoria do cinema a gente chama de adaptação literária. Só que o cinema apanhou muito, porque sempre vinha aquela cobrança que a obra original é melhor. Houve todo o desenvolvimento, todo o debate, para que, assim, elas pudessem se libertar, e cada um ter sua própria força, como linguagem”, ressaltou Cássio.

Nesse contexto, a adaptação de obras paraenses para o cinema e a televisão surge como uma forma de preservar e, ao mesmo tempo, renovar histórias que fazem parte da identidade amazônica. 

Demanda - Roteirista paraense, formada em Cinema pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Mayara Sanchez ressaltou que a chegada dessas obras às telas amplia o alcance da literatura e demonstra o interesse crescente do público por autores e narrativas da região.

Segundo ela, “recentemente, grandes obras de autores paraenses estão sendo adaptadas para plataformas de streaming e TV por assinatura. Podemos perceber que existe demanda para saber mais sobre as narrativas paraenses. Cada vez mais, para o público do audiovisual, coletivamente só tem a fortalecer toda essa cadeia e toda essa demanda que já tem atualmente”.

Serviço: A programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes prossegue até domingo (06), no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Entrada franca.

Texto:  Yasmin Costa - Ascom/Secult

06/09/2026 11h10
Por Yasmin Costa (Feira do Livro)