Seres encantados e histórias populares são referências na cultura amazônica

Bate-papo sobre imaginário da região reuniu o poeta Paes Loureiro e a artista e pesquisadora Adriana Cruz, na Arena Multivozes, na Feira do Livro


A fauna amazônica e o imaginário popular da região foram o ponto de partida para uma conversa entre o poeta, escritor e professor João de Jesus Paes Loureiro, 87 anos, e a artista, dramaturga e pesquisadora Adriana Cruz, nesta quarta-feira (2), na Arena Multivozes, durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém.

O encontro integrou a programação das “Vozes da Fauna e Imaginário”, e abordou a presença de animais, seres encantados, histórias populares e outras referências da Amazônia na literatura, no teatro e nas manifestações culturais da região.

Para Paes Loureiro, o imaginário amazônico está diretamente ligado à vida cultural da região, e precisa ser conhecido e valorizado. Para ele, “o imaginário aqui na Amazônia tem uma presença muito forte. Ele faz parte da vida cultural dos municípios, faz parte da vida cultural das cidades, capitais, da própria região. E, sendo assim, é necessário que esse estudo se conheça e valorize”.

Com uma trajetória dedicada à literatura, à cultura e ao ensino, Paes Loureiro é escritor, poeta e professor universitário. Foi docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde lecionou disciplinas relacionadas à estética, à história da arte e à cultura amazônica.

Histórias que atravessam gerações - A conversa também destacou o papel das artes na preservação e atualização das narrativas que fazem parte do imaginário amazônico. Para Adriana Cruz, a arte e a literatura são ferramentas que permitem olhar para a realidade de forma mais profunda e questionadora. “É muito importante a gente compreender a arte, o imaginário e a literatura como potências transformadoras pela própria maneira como a gente compreende o mundo através dessas linguagens. É possível a gente conseguir olhar não aquilo que está posto, mas o que está através das entrelinhas, os fatos que colaboram para aquela realidade, ou seja, as artes têm a potência de fazer você olhar o contexto além da primeira página”, explicou.

A artista também destacou o papel do público nesse processo, como alguém que participa ativamente da construção de sentidos a partir daquilo que vê e lê. “Você tem a possibilidade de se perguntar sobre aquilo que você está vendo. A arte, a literatura, o exercício de praticar ou de simplesmente ser um espectador, que não é simplesmente, mas ser um espectador ativo. É um exercício político de olhar o cotidiano e a vida de uma maneira mais profunda”, enfatizou. 

Doutora em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, Adriana Cruz é atriz, dramaturga, diretora teatral e professora da Escola de Teatro e Dança da UFPA. Ela também é autora da coleção Viagens de Zé Mururé, formada por cinco livros com personagens e narrativas do imaginário amazônico, como a Boiúna, o Mapinguari, o Boi- Bumbá e a Matinta.

Identidade regional - A educadora e escritora da Academia de Letras de Belém, Rita Melém, 53 anos, acompanhou o bate-papo e destacou a importância dos dois convidados para a valorização da cultura amazônica. Segundo ela, o encontro também reforçou a necessidade de compreender o imaginário como parte da identidade da região.

Rita Melém ressaltou ainda a reflexão proposta por Adriana Cruz sobre os encantados e a relação dessas narrativas com a identidade amazônica. “É importante a gente pensar nos nossos encantados como também uma forma de ser, de estar, que é construída a partir de vários elementos da nossa estética amazônica. Estou muito feliz com esse encontro porque a gente sai outra pessoa, porque a gente se conhece nas palavras desses dois pesquisadores e escritores que estiveram conosco aqui”, acrescentou.

Serviço: A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). O evento prossegue até domingo (06), no Hangar, em Belém, com programação gratuita, das 9h às 21h.

A Feira reúne cerca de 100 mil títulos em 199 estandes, em uma área de 24 mil metros quadrados, além de bate-papos, rodas de conversa, apresentações culturais, atividades infantis, contação de histórias e outras ações de incentivo ao livro, à leitura e à cultura.

A Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é patrimônio cultural e imaterial do Estado do Pará e integra as políticas públicas de incentivo e valorização do livro e da leitura.

03/09/2026 11h29
Por Comunicação (Feira do Livro)