Trio Manari, Naieme e Joelma Kláudia levam ritmos amazônicos ao mundo da literatura

Apresentação integrou a programação cultural da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, celebrando a música e a cultura do Pará


Os ritmos amazônicos tomaram conta da programação cultural da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes na noite desta quarta-feira (2), com a apresentação do Trio Manari ao lado das cantoras Naieme e Joelma Kláudia. O show, realizado no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, reuniu o público em uma celebração à música e à cultura paraense.

Com quase 25 anos de trajetória, o Trio Manari é formado pelos percussionistas Márcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno. O grupo pesquisa ritmos amazônicos, como o carimbó e o samba de cacete, aproximando os sons da cultura popular de arranjos contemporâneos.

Para Nazaco Gomes, voltar a se apresentar na Feira do Livro, depois de alguns anos, reforça a importância de participar de um evento que reúne várias expressões culturais. “Estar num grande evento como esse, sobre literatura e cultura, é muito importante pra gente, porque a gente se sente junto desses livros, dessas poesias, dessa música. Isso é muito importante pra gente, como artista e como leitor”, disse Nazaco.

Vozes paraenses - A apresentação também contou com a participação das cantoras Naieme e Joelma Kláudia, artistas com trajetórias marcadas pela valorização da cultura e da música produzidas no Pará.

Cantora, compositora e multiartista amazônica, Naieme reúne em seu trabalho referências da cultura popular nortista, incluindo carimbó, boi, brega e outros gêneros musicais. Ela também aborda em suas canções temas relacionados à identidade, às encantarias e à espiritualidade amazônica.

Sobre a apresentação, Naieme destacou a relação de seu trabalho com a percussão e as referências musicais amazônicas, além da importância do Trio Manari em sua trajetória. “Eu acredito muito na força dos nossos tambores e dos nossos cantares. O meu trabalho dialoga muito com o Trio Manari, que é uma das minhas grandes referências. No meu trabalho sempre trago os nossos ritmos amazônicos, toda a nossa força, os nossos tambores, nossos ritmos, que são únicos. A gente tem sotaques diferentes e um swing que só a gente tem. Eu brinco que na água, no açaí, tem uma coisa diferente. E esse show é muito legal porque traz exatamente as nuances das nossas rítmicas, das nossas narrativas. Na minha música eu falo muito sobre ser mulher da Amazônia, sobre as encantarias. O meu trabalho é muito pautado na espiritualidade da Amazônia”, explicou a cantora.

Produtora cultural, cantora e compositora, Joelma Kláudia também integrou a programação musical da Feira. Com três discos lançados e atuação em projetos culturais e educacionais, a artista atua na valorização da cultura local e das comunidades.

Para ela, a diversidade cultural do Pará também se manifesta na maneira como cada território constrói suas sonoridades, sotaques e formas de expressão. Nascida em Altamira, no Oeste paraense, a artista ressaltou que essa multiplicidade dialoga diretamente com a proposta da Feira das Multivozes.

“Cada território canta a sua canção de uma forma diferente, por isso que o Pará é um país enorme. A gente encontra no Pará tantos sotaques, tantas composições diferentes. A canção de cada território tem uma linguagem diferente, e é importante na Feira do Livro, que fala das multivozes, a gente trazer tantas canções, tantos timbres diferentes, uma forma de compor e uma forma de viver a vida, de sentir a forma que eu e o outro artista sentem o Pará. É tão única! Pra mim, a contribuição é a nossa voz que se multiplica através de cada canto, através de cada junção, e isso faz a gente um grande festival, e um grande amor que a gente traz no nosso território, mas também nessa grande feira chamada a Feira das Multivozes”, declarou Joelma Kláudia.

Serviço: A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). O evento prossegue até domingo (06), no Hangar - Centro de Convenções, em Belém, com programação gratuita, das 9h às 21h.

A Feira reúne cerca de 100 mil títulos em 199 estandes, distribuídos em uma área de 24 mil metros quadrados, além de debates, rodas de conversa, apresentações culturais, atividades infantis, contação de histórias e shows musicais.

Patrimônio cultural e imaterial do Estado do Pará, a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma política pública de incentivo e valorização do livro, da leitura e da cultura paraense.

03/09/2026 11h47 - Atualizada em 03/09/2026 11h51
Por Comunicação (Feira do Livro)