Uepa lança livro sobre desafios de mulheres negras na construção de carreiras acadêmicas na Amazônia
A obra aborda histórias de infância, família, formação, atuação profissional e enfrentamentos vivenciados em vários espaços da sociedade
Trajetórias, experiências e lutas de dez mulheres negras que construíram suas vidas e carreiras no contexto acadêmico na Amazônia ganham espaço nas páginas do livro “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras”. A obra será lançada nesta quinta-feira (3), das 18h às 20h, pela Editora da Universidade do Estado do Pará (Eduepa) durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no estande da Eduepa, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém.
O livro reúne histórias que atravessam infância, família, formação acadêmica, atuação profissional e os enfrentamentos vivenciados em diferentes espaços da sociedade. Entre elas, a enfermeira e professora Ilma Pastana. Também vice-reitora da Uepa e uma das organizadoras da publicação, ela conta sobre a luta e as oportunidades que a levaram até onde está hoje. “Enfrentamos diversas dificuldades familiares, financeiras e discriminatórias. Hoje, eu vejo a minha posição não só como uma conquista, mas como uma missão: a missão de gerar mais oportunidades. Ainda há muito pelo que lutar, mas de onde estou, com os parceiros que tenho, consigo buscar por mais mudanças estruturais”, ressaltou.
Raça e gênero - A pedagoga Creusa Trindade é uma das autoras e organizadoras do livro. Segundo ela, a obra nasceu de uma mobilização dentro da própria Universidade, a partir de grupos de pesquisa que discutem relações raciais e de gênero, sobretudo o Grupo de Pesquisa e Estudos Amazônia Antirracista (Geamar). O processo esteve ainda relacionado à criação, em 2025, do Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras da Uepa.
“É uma obra que relata a trajetória histórica, afetiva, familiar e contextualizada da vida de mulheres negras, professoras da Universidade do Estado do Pará. A nossa escolha foi impulsionada pela necessidade de escrever os nossos relatos de vida, de experiência, e os nossos enfrentamentos contra o racismo, seja no âmbito social, pessoal ou institucional”, disse a professora.
Ainda de acordo com Creusa Trindade, as narrativas buscam mostrar a força e a presença das mulheres negras amazônicas nos espaços acadêmicos, científicos, de ensino, pesquisa e extensão, revelando os caminhos percorridos até a chegada à universidade e à docência. “Nós escrevemos essa obra porque somos a própria mulher negra em movimento, que consegue romper o silêncio do racismo no contexto institucional”, informou.
A expectativa é que as narrativas ultrapassem os limites da comunidade acadêmica. E a grande oportunidade de apresentar a obra ao público externo será no lançamento, no ambiente da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes.
Seis obras - Além de “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras”, a Eduepa levará ao público outras cinco publicações, que contemplam várias áreas do conhecimento.
A série de lançamentos começou dia 31 de agosto, com o livro “Rotina da Unidade Materna: segurança da criança e do adolescente”. Já no dia 1º de setembro (terça-feira) foi apresentado o e-book “Gramática e Ensino Epilinguístico”. Hoje, 2 de setembro, foi lançado o e-book “Caminhos formativos do primeiro corpo docente da Escola Superior de Educação Física do Pará (1950-1970)”.
O lançamento de “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras” será na quinta-feira (3), e a programação prossegue na sexta (4) com a obra “Mito e Memória”. O encerramento da série de lançamentos será no dia 5 de setembro (sábado), com o e-book “Dinâmicas imobiliárias e moradias na Amazônia paraense”.
A extensa participação da Uepa na Feira do Livro 2026 valoriza ensino, pesquisa e extensão em diversos formatos. “É um espaço em que a Universidade se faz ainda mais presente, com seus produtos técnicos e tecnológicos”, ressaltou Ilma Pastana.
Texto: Stefanie Paixão - Ascom/Uepa
Por Comunicação (Feira do Livro)

