Governo do Pará leva literatura e inclusão para a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes
Evento contou com estande deicado a autores autistas para promover a arte dos escritores neurodivergentes
O Governo do Pará escreveu uma nova página para a inclusão durante a 29ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes: é que durante a maior festa da literatura do estado a Secretaria de Saúde do Pará montou, através da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), um espaço dedicado aos escritores com transtorno do espectro autista.
“Nós trouxemos nossos artistas, que são crianças e pessoas adultas que têm TEA, para mostrar sua produção literária. Todos os dias da feira teremos um escritor para abrilhantar este evento”, explica Nathália Galdino, coordenadora da CEPA.
Dez escritores diferentes irão marcar presença no estande da CEPA durante a feira do livro, trazendo desde obras técnicas, como “Os três porquinhos: desenvolvendo o autismo e seus níveis de suporte”, de Priscila Oliveira Castelo Branco, a textos de ficção como contos, fábulas infantis e histórias em quadrinhos.
Um desses escritores é José Carlos Freire Neto, ou Juca - como ele é conhecido artisticamente. O jovem de 15 anos conta que ama desenhar desde pequeno, mas se tornou escritor ano passado para unir sua paixão pelos traços e o seu talento para as letras como uma forma de contar histórias da sua vida de maneira acessível para todas as pessoas - um gesto de superação que vem cativando até mesmo quem não tem muita intimidade com as palavras.
“Eu desenhava sempre desde pequeno, até na parede, em qualquer lugar - em casa, no caderno, no que me dessem. Sempre amei esse universo, era meu universo, o meu mundinho. E alguns professores olhavam para mim e diziam ‘ele não vai ler, não vai escrever, nem coloque ele na escola…’, mas eu já fui para a COP30 e para a Feira do Livro desde o ano passado. Eu crio e ilustro meus livros porque eu sei que tem criança que, assim como eu, não gostavam de ler, mas que querem conhecer. Eu crio quadrinhos, animações, desenhos e vídeos desde 2022. Toda vez que acontece uma coisa comigo, seja boa ou ruim, eu penso ‘agora isso precisa virar história! Como é que eu vou contar isso?’”, disse.
O sucesso de Juca enche de orgulho sua fã número 1, a psicóloga Larissa Borges - sua mãe. “Quando o Juca começou a estudar ele não sabia pegar no lápis. Ele não conseguia fazer o que as outras crianças faziam, mas eu dizia que a gente não precisava ter pressa. Até que um dia ele descobriu o lápis de cor. À partir daí a gente descobriu que o desenho traria comunicação, e o menino que me disseram que não ia ler, não ia escrever, ano passado lançou um livro e este ano está lançando novamente. Ele vai voar! A arte dele pode dar a ele condições de vencer na vida”, exalta a mãe orgulhosa.
Serviços para a comunidade e empreendedorismo social
Além do espaço dedicado aos escritores, o estande da CEPA também oferece serviços para a comunidade, com orientações sobre direitos e benefícios para pessoas autistas, como a carteira CIPTEA, que garante atendimento prioritário para as pessoas com autismo. “Nós estamos orientando todo o público que vem nos procurar, muitas vezes para perguntar algo relacionado às políticas públicas que o governo do Estado tem feito em relação às pessoas que estão no espectro autista”, conta a coordenadora Nathália Galdino.
Outro destaque do estande da CEPA é o incentivo ao empreendedorismo social, cedendo espaço para que empreendedoras que estão no espectro do autismo ou são cuidadoras de uma pessoa TEA possam comercializar produtos de artesanato, confecção, acessórios e até brinquedos de regulação sensorial. “Temos um projeto na CEPA para atuar junto com empreendedoras e empreendedores, e conseguimos apoiar essas atividades dando visibilidade para que possam vender sua arte, seus produtos, como uma forma de ter uma fonte de renda com horários mais flexíveis, compatíveis com a demanda de pais e mães que são cuidadores de pessoas atípicas”, explica Nathália.
É o caso de Aline Martins, que é mãe de Eloísa - uma criança de 9 anos que tem autismo nível 3 de suporte. “Ano passado o meu marido, que é autônomo, ficou muito doente e não conseguia trabalhar. Então eu precisei fazer alguma coisa para ajudar nas despesas da casa, e comecei a fazer travessinhas para o carnaval. E aí fui descobrindo um talento que eu não sabia que eu tinha, e desde então venho fazendo uma renda extra. Meu marido já voltou a trabalhar, mas eu continuei e aos poucos a minha marca está crescendo. Saber que estamos sendo reconhecidas de alguma maneira e também ganhar um dinheirinho é muito bom, por isso a feira é maravilhosa, é realmente uma grande oportunidade e eu tenho uma gratidão eterna aos organizadores”, relata a empreendedora.
Serviço: O estande da CEPA pode ser visitado na 29ª Edição da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes até o dia 6 de setembro no Hangar, sempre de 9 às 21h
Texto: Ingo Muller/Sespa
Por Comunicação (Feira do Livro)





