Contação de histórias movimenta programação infantil na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro

Atividade no Céu da Leitura reuniu literatura, memórias e histórias para o público infantil




A programação desta quarta-feira, 2, da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes reuniu literatura, ancestralidade e contação de histórias no espaço Céu da Leitura, no Hangar. Entre as atividades da manhã, o público acompanhou a apresentação infantil “A mulher que carregava o fogo da palavra”, conduzida pela contadora de histórias e mediadora de leitura Joana Chagas.

Durante a apresentação, Joana contou a história de uma mulher que usava suas palavras para cuidar e ajudar outras pessoas, mas que acaba sendo julgada e tem sua voz silenciada. Na narrativa, as palavras dessa mulher são lançadas ao fogo e chegam até outras mulheres, que também passam a ter voz. A história aborda temas como resistência, cuidado e a força da palavra.

“A história vem trazer uma mensagem do quanto as mulheres têm sido julgadas ao longo dos séculos e de toda essa luta para tentar silenciar as mulheres. Cada centelha das palavras arrancadas da boca dessa mulher cai na boca de outras mulheres, e essas mulheres ganham voz e ganham corpo”, explica Joana.

Para apresentar a história ao público infantil, Joana adaptou a linguagem e buscou tornar a narrativa mais próxima das crianças. Nesse processo, ela também trouxe como referência a forma de aprendizagem presente em sua vivência indígena, baseada na escuta e na prática.

“As crianças indígenas aprendem fazendo. A gente conta, a criança ouve e vai exercitando aquilo que ouviu. Então, a gente tem que ter muita responsabilidade com aquilo que fala”, destaca.

A apresentação contou ainda com a participação de Tiago Herrera, de Ponta de Pedras, no Marajó, diretor da Biblioteca Comunitária da Sabedoria. Ao lado de Joana, ele compartilhou histórias e lembranças da infância, trazendo para a atividade experiências de quem cresceu ouvindo histórias contadas pelos mais velhos.

Entre as lembranças, Tiago recordou momentos do cotidiano no Marajó, como os vendedores que passavam pelas ruas anunciando seus produtos, entre eles o “tapioqueiro”. Ele conta que a contação de histórias faz parte de sua vida desde a infância e que hoje busca levar essa experiência para as novas gerações.

“Eu cresci vendo meu avô contar histórias. Nós crescemos vendo os mais velhos contarem histórias e hoje a gente tenta trazer isso um pouco e passar para essa nova geração”, conta Tiago.

Tiago também é diretor da Biblioteca Comunitária da Sabedoria, onde, desde 2021, desenvolve junto com outros jovens atividades de mediação de leitura e contação de histórias. O trabalho surgiu da busca por formas de aproximar crianças e adolescentes dos livros e da literatura.

Entre o público estavam alunos do 6º ano do Colégio Sophos, de Belém. A coordenadora da instituição, Débora Cordeiro, acompanhou os estudantes durante a atividade e destacou a importância de proporcionar experiências como a Feira do Livro para ampliar o conhecimento e contribuir para o desenvolvimento dos alunos.

Para a coordenadora, o contato com os livros, com as histórias e com atividades realizadas fora da sala de aula também ajuda a despertar o interesse dos estudantes pela leitura e permite que eles tenham acesso a novos conhecimentos.

A programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes segue até o dia 6 de setembro, no Hangar, com atividades literárias, culturais e apresentações para diferentes públicos.

Texto: Jhuly Cavalcante, sob supervisão da jornalista Lorena Saraiva

02/09/2026 18h20
Por Jhuly Cavalcante (Feira do Livro)