Os desafios de mulheres negras na construção de carreiras acadêmicas na Amazônia
Editora da Uepa vai lançar, durante a Feira do Livro, obra sobre a experiências e lutas de dez mulheres negras que construíram suas vidas e carreiras no contexto acadêmico
As trajetórias, experiências e lutas de dez mulheres negras que construíram suas vidas e carreiras no contexto acadêmico na Amazônia ganham espaço nas páginas do livro “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras”, que será lançado nesta quinta-feira, 3/9, de 18h às 20h, pela Editora da Universidade do Estado do Pará (Eduepa) durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no estande da Eduepa, no Hangar Centro de Convenções, em Belém.
O livro reúne histórias que atravessam infância, família, formação acadêmica, atuação profissional e os enfrentamentos vivenciados em diferentes espaços da sociedade. Entre elas, a enfermeira e professora Ilma Pastana, que também é vice-reitora da Uepa e uma das organizadoras da publicação, ela conta sobre a luta e as oportunidades que a levaram até onde está hoje. “Enfrentamos diversas dificuldades familiares, financeiras e discriminatórias. Então, hoje, eu vejo a minha posição não só como uma conquista, mas como uma missão: a missão de gerar mais oportunidades. Ainda há muito pelo que lutar, mas de onde estou, com os parceiros que tenho, consigo buscar por mais mudanças estruturais”, reflete.
A pedagoga Creusa Trindade é uma das autoras e também organizadora do livro, que, segundo ela explica, nasceu de uma mobilização dentro da própria universidade, a partir de grupos de pesquisa que discutem relações raciais e de gênero, sobretudo o Grupo de Pesquisa e Estudos Amazônia Antirracista (Geamar). O processo também esteve relacionado à criação, em 2025, do Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras da Uepa.
“É uma obra que relata a trajetória histórica, afetiva, familiar e contextualizada da vida de mulheres negras professoras da Universidade do Estado do Pará. A nossa escolha foi impulsionada pela necessidade de escrever os nossos relatos de vida, de experiência e os nossos enfrentamentos contra o racismo, seja no âmbito social, pessoal ou institucional”, destaca a professora Creusa.
De acordo com a explicação da professora, as narrativas buscam mostrar a força e a presença das mulheres negras amazônicas nos espaços acadêmicos, científicos, de ensino, pesquisa e extensão, revelando os caminhos percorridos até a chegada à universidade e à docência. “Nós escrevemos essa obra porque somos a própria mulher negra em movimento, que consegue romper o silêncio do racismo no contexto institucional”, ressalta.
A expectativa é que as narrativas ultrapassem os limites da comunidade acadêmica. E a grande oportunidade de apresentar a obra ao público externo será nesta quinta-feira (3), durante o lançamento na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes.
Seis obras em diferentes áreas
Além de “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras”, a Eduepa levará ao público outras cinco publicações, que contemplam diferentes áreas do conhecimento.
A série de lançamentos começou dia 31 de agosto, com o livro “Rotina da Unidade Materna: segurança da criança e do adolescente”. Já no dia 1º de setembro foi apresentado o e-book “Gramática e Ensino Epilinguístico”. No dia 2 de setembro, foi a vez de lançar o e-book “Caminhos formativos do primeiro corpo docente da Escola Superior de Educação Física do Pará (1950-1970)”. O lançamento de “Narrativas Biográficas de Mulheres Negras” ocorre no dia 3 e a programação segue no dia 4 de setembro com a obra “Mito e Memória”. O encerramento da série de lançamentos será no dia 5 de setembro, com o e-book “Dinâmicas imobiliárias e moradias na Amazônia paraense”.
A extensa presença da Uepa na Feira do Livro 2026 leva ensino, pesquisa e extensão em diversos formatos, “é um espaço em que a universidade se faz ainda mais presente, com seus produtos técnicos e tecnológicos”, como pontua Ilma Pastana.
Texto: Stefanie Paixão (Ascom/Uepa)
Por Comunicação (Feira do Livro)



