Fundação Cultural debate projetos finalistas do Prêmio Viva Leitura na Feira Pan-Amazônica do Livro

Encontro reuniu representantes de iniciativas paraenses reconhecidas nacionalmente pelo incentivo à leitura e à formação de leitores



A Fundação Cultural do Pará (FCP) promoveu, na tarde desta sexta-feira (4), roda de conversa com representantes de projetos participantes do Prêmio Viva Leitura 2025, na programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém. O encontro proporcionou a troca de experiências entre coordenadores de iniciativas reconhecidas pela premiação, destacando ações desenvolvidas em várias regiões do Pará para democratizar o acesso à leitura.

Participaram da atividade o vencedor e três finalistas paraenses do Prêmio Viva Leitura 2025, que compartilharam experiências, desafios e resultados alcançados por seus projetos. A iniciativa também possibilitou o diálogo sobre a importância das bibliotecas comunitárias, itinerantes e ribeirinhas como espaços de acesso à cultura, educação e transformação social.

O Prêmio Viva Leitura é uma das principais iniciativas de reconhecimento e incentivo à formação de leitores no Brasil. A premiação busca valorizar projetos dedicados à promoção da leitura, literatura e escrita, além de iniciativas que fortalecem bibliotecas como instrumentos de transformação social e educacional.

A premiação é realizada por meio de uma parceria entre o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério da Educação (MEC) e a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI).

Leitura que transforma comunidades - Grande vencedor do Prêmio Viva Leitura 2025, na categoria Bibliotecas Comunitárias, o Projeto “MOARA: A Leitura do Mundo e da Comunidade”, de Santa Maria do Pará (município do Nordeste paraense), é desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Comunitário de Santa Maria do Pará (Adesc).

Coordenador da iniciativa, Erick Machado explicou que o projeto atua na implantação de bibliotecas comunitárias em áreas rurais e periurbanas do Nordeste paraense. Segundo ele, já foram implementadas mais de 80 unidades em seis municípios, além de ações voltadas à valorização da literatura amazônica e à formação de multiplicadores de leitura.

“Nosso objetivo é promover a democratização e a inclusão literária, consolidando a biblioteca como um direito fundamental e um espaço de fomento ao imaginário amazônico. O projeto reafirma nosso compromisso com uma educação sensível, que concebe a literatura como ferramenta essencial para a construção de novos mundos possíveis”, ressaltou Erick Machado.

Reconhecimento - Para ele, o reconhecimento nacional representou um marco na trajetória do projeto e reforçou a importância das iniciativas comunitárias de incentivo à leitura. “Quanto ao Prêmio Viva Leitura, a conquista na categoria de bibliotecas comunitárias representou um marco significativo para o 'MOARA'. O reconhecimento simboliza a consolidação de um esforço coletivo realizado em parceria com a comunidade, evidenciando a relevância dessas iniciativas no âmbito das políticas públicas. Representar a Adesc e o projeto na premiação foi uma experiência gratificante, sobretudo por testemunhar o alcance de políticas culturais em regiões periféricas e no interior da Amazônia”, acrescentou.


O coordenador também destacou a parceria com a Fundação Cultural do Pará ao longo do desenvolvimento do projeto.

Segundo ele, “nessa trajetória, a Fundação Cultural do Pará tem sido uma parceira indispensável desde o início do projeto. Por meio do fornecimento de acervos e da oferta de formações técnicas, como as orientações sobre a organização e gestão de acervos bibliotecários, a Fundação tem viabilizado as condições necessárias para que possamos alcançar os objetivos que almejamos, sendo fundamental para o desenvolvimento e a história do Projeto MOARA”.

Bibliotecas que circulam pelo território - Entre os finalistas do Prêmio Viva Leitura está o Projeto “Lonas de Contato – Bibliotecas Comunitárias Itinerantes”, desenvolvido no bairro do Paar, em Ananindeua, e idealizado por Leandro Silva.

A iniciativa surgiu diante da dificuldade de dispor de um espaço físico permanente para a biblioteca. Como alternativa, o projeto passou a atuar de forma itinerante, utilizando lonas instaladas em diferentes bairros, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social.

De acordo com Leandro Silva, a escolha das lonas possibilitou levar as atividades de leitura a diferentes espaços e aproximar a comunidade das ações desenvolvidas. “A escolha da lona como suporte principal deve-se à necessidade de mobilidade, visto que o transporte de mobiliário convencional, como estantes e mesas, é inviável. A lona, estendida diretamente no chão promove uma interação mais próxima e acolhedora. Especialmente no período pós-pandemia, em que o isolamento se tornou uma constante, o projeto busca resgatar a convivência presencial. O ambiente criado no chão facilita a socialização de crianças e adultos, inclusive de pessoas neurodivergentes, tornando a mediação de leitura e a contação de histórias experiências mais acessíveis e confortáveis”, explicou.

Para o idealizador, estar entre os finalistas representou uma importante conquista para a equipe e os voluntários envolvidos na iniciativa. “A gente se inscreveu sem grandes expectativas, dado que o projeto é recente e o processo seletivo era bastante concorrido. A iniciativa nasceu em 2023, consolidando-se a partir de demandas que observei em meus atendimentos psicológicos, nos quais a leitura se revelava uma valiosa ferramenta terapêutica. O reconhecimento por meio do Prêmio foi motivo de grande alegria e representou uma validação fundamental dos esforços de todos os voluntários envolvidos, conferindo maior visibilidade ao nosso trabalho”, disse Leandro Silva.

Leitura às margens dos rios - Outro projeto paraense reconhecido pela premiação foi “Bibliotecas Ribeirinhas”, idealizado por Waldemir Rocha. A iniciativa começou em 2018, no Mercado Municipal de Icoaraci (distrito de Belém), a partir da percepção de uma necessidade da comunidade local.

Com o apoio de parcerias entre iniciativas públicas e privadas, incluindo a Biblioteca Municipal Avertano Rocha, professores, artistas e profissionais do mercado, o projeto passou a desenvolver ações de incentivo à leitura e atividades culturais, como saraus e arrecadações destinadas a comunidades em situação de vulnerabilidade.

A partir de 2023, a iniciativa ampliou sua atuação para comunidades ribeirinhas do entorno de Icoaraci. Atualmente, está presente em quatro ilhas da capital: Cotijuba, na comunidade Pedra Branca; Paquetá, na comunidade Jamaci; Ilha Nova e Ilha Jutuba, atendendo um público de crianças a adultos.

Segundo Waldemir Rocha, “nosso trabalho vai além da instalação de ‘gelotecas’, bibliotecas instaladas em geladeiras customizadas; levamos também cultura, oficinas e ferramentas de suporte educacional, como o aplicativo de alfabetização ‘Pai d’Égua’, reconhecendo a importância da inclusão digital. A Fundação teve um papel fundamental em nossa trajetória, especialmente por meio da articulação de um projeto de doação de livros que foi essencial para o nosso acervo”.

Ele também destacou o caráter coletivo do Prêmio Viva Leitura, afirmando que “foi uma surpresa gratificante. Entre quase duas mil inscrições em todo o Brasil, fomos um dos cinco finalistas em nossa categoria. O mérito desse reconhecimento pertence a uma rede de pessoas e coletivos que acreditam na força das parcerias. O Prêmio é o reflexo de um trabalho coletivo constante, e receber essa distinção é, sem dúvida, muito gratificante”.

A roda de conversa promovida pela FCP reforçou a importância de iniciativas que atuam diretamente nas comunidades para ampliar o acesso aos livros e à literatura. Ao reunir projetos de diferentes territórios do Pará, a atividade também evidenciou a diversidade de estratégias utilizadas para aproximar a população da leitura e transformar bibliotecas em espaços de convivência, formação e cidadania.

Texto: Maurício Carvalho - Ascom/FCP

05/09/2026 10h36
Por Comunicação (Feira do Livro)