Literatura infantojuvenil amazônica ganha espaço na Feira Pan-Amazônica do Livro
Roda de conversa reuniu pesquisadoras e público para discutir identidade, oralidade, imaginário e as diferentes formas de aproximar crianças e jovens das narrativas da região
A literatura como espaço de reconhecimento, preservação de memórias e valorização do imaginário amazônico esteve no centro da roda de conversa “Literatura infantojuvenil na Amazônia”, realizada na noite desta sexta-feira (4), na Arena Multivozes, durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. A atividade integrou a programação “Vozes da Infância”.
O encontro teve a participação da professora e pesquisadora Thaís Fernandes de Amorim e da escritora, professora e contadora de histórias Andréa Cozzi, com mediação do professor Marco Antônio da Costa Camelo. Foram abordadas as relações entre literatura, identidade, oralidade, ilustração e outras manifestações artísticas, além da presença dos saberes e narrativas amazônicas na formação de crianças e jovens.
Para Thaís Fernandes de Amorim, professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e pesquisadora de literatura infantojuvenil, aproximar os jovens das narrativas relacionadas ao território em que vivem contribui para ampliar a forma como eles compreendem a própria realidade e o mundo. A pesquisadora atua também com letramento literário, literatura visual, mediação de leitura e multiletramentos.
“É necessário porque os nossos jovens percebem o mundo e, muitas vezes, não fazem essa relação com o que estão lendo e com aquilo que os autores possibilitam por meio dos seus imaginários. Pensar a Amazônia a partir da leitura, nesse contexto local e global, faz toda a diferença”, afirmou.
Segundo Thaís Fernandes, a literatura infantojuvenil também abre possibilidades para que crianças e adolescentes encontrem referências mais próximas de suas experiências. “É um caminho necessário e possível”, frisou, ao falar sobre o reconhecimento dos jovens amazônidas nas histórias que leem.
Histórias, gerações e narrativas - A oralidade ganhou destaque com Andréa Cozzi, que pesquisa poéticas orais, mitopoética amazônica e contadores tradicionais. Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), ela desenvolveu pesquisas sobre contadores tradicionais e narrativas da região insular de Belém. Também é organizadora de iniciativas voltadas à contação de histórias na Amazônia.
Para a pesquisadora, histórias transmitidas entre gerações continuam presentes no cotidiano amazônico e encontram novas possibilidades de circulação quando chegam à literatura. “Essa oralidade sempre esteve presente para nós, que somos da Amazônia. A gente conta em primeira pessoa: ‘eu vi a Matinta’. Hoje, há uma safra muito potente de escritores que estão se debruçando sobre essas narrativas, ouvindo e escrevendo essas histórias. Existe um interesse muito grande porque são narrativas que fazem parte do nosso território e da nossa própria formação. A gente cresce ouvindo essas histórias”, destacou Andréa Cozzi.
Ao falar sobre o risco de essas narrativas perderem espaço na formação das novas gerações, Andréa recorreu a uma história ouvida de um contador para traduzir a importância de manter esse patrimônio em circulação.
“Ouvi de um contador tradicional que Curupira mora na sapopema da Samaúma, na raiz da Samaúma, e que ali existe um portal de encantaria por onde as histórias transitam. Toda vez que a gente não abre esse portal, uma Curupira desaparece, uma Samaúma desaparece. Então, é urgente ouvir essas histórias, abrir esse portal e deixá-las circular nas escolas, nas bibliotecas e nas nossas casas. Eu não consigo pensar em identidade e imaginário amazônicos sem dar voz a essas narrativas”, reiterou a pesquisadora.
Literatura em todos os lugares - Entre o público, o professor de Literatura, Língua Portuguesa e Redação Caio Matheus destacou a discussão sobre o diálogo da literatura infantojuvenil com outras formas de expressão artística, especialmente a ilustração, e as possibilidades que essa diversidade oferece ao trabalho desenvolvido nas escolas.
“O que mais me chamou atenção foi a relação que a literatura mantém com diferentes expressões da arte, principalmente com a ilustração. A discussão mostrou como a literatura infantojuvenil explora diversas possibilidades de interação entre as artes. É muito importante levar isso para a sala de aula e proporcionar aos alunos o acesso a toda essa diversidade que a literatura pode promover”, avaliou.
Por Comunicação (Feira do Livro)





