Estudantes da rede estadual apresentam projetos de papel semente e foguetes ecológicos na Feira Pan-Amazônica do Livro

Alunos do Centro de Inovação e Sustentabilidade da Seduc demonstram soluções científicas contra o desmatamento e o aquecimento urbano no estande do governo estadual


Durante o 3º dia da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, estudantes do Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb), da Escola Estadual Cordeiro de Farias, apresentarem o projetos “Reciclar para Plantar: Transformando Papel em Sustentabilidade”. A iniciativa nasceu a partir da observação de um problema comum nas escolas: a grande quantidade de papel descartado diariamente.

Apresentado no estande da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a iniciativa pretende mostrar como materiais que seriam descartados podem ganhar novas funções e como os conhecimentos de engenharia podem contribuir para enfrentar desafios ambientais, como as altas temperaturas.

Para a estudante do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Profª Leonor Nogueira, Ana Beatriz, esse projeto é importante porque ajuda a economizar o desmatamento com os cortes de árvores.“É uma contribuição com a natureza. Para o processo de confecção: a gente junta o papel, tira os grampos, pica no liquidificador com água para formar a celulose, usa a peneira e tira a água com pano antes de ir ao sol”, disse. 

Durante a programação, alunos e professores apresentam experiências relacionadas à conscientização ambiental, reciclagem e ao desenvolvimento de soluções inspiradas na engenharia bioclimática: fazer construções com mais conforto sem gastar muita energia. 

Um dos projetos apresentados é a produção do papel semente, com material ecológico que pode ser plantado após o uso. A folha de papel é fabricada com diferentes espécies vegetais, após fazer o plantio, é capaz de dar origem a novas plantas.

A iniciativa integra conhecimentos de ciências, química e física a conceitos de sustentabilidade e reflorestamento. Dessa maneira, os estudantes aprendem, na prática, como a ciência pode ser utilizada para propor soluções para questões ambientais.

Segundo a professora Ivanessa Solon, a proposta é transformar esse resíduo em novos produtos úteis e sustentáveis, ao mesmo tempo em que promove a conscientização ambiental entre os estudantes. “A nossa missão no Ciseb é trabalhar a tecnologia associada à sustentabilidade. Diante da geração de resíduos de papel na escola, os alunos desenvolveram a reciclagem sem nenhum aditivo químico, evoluindo para a confecção do papel semente”, destacou. 

A criatividade, a ciência e a preocupação com o meio ambiente estão entre os destaques do projeto, pensado para contribuir com o reflorestamento da região amazônica. "O principal do projeto é a importância dele para a nossa natureza e para o reflorestamento. As florestas são muito importantes, principalmente para nós que moramos na Amazônia”, contou Clarissa Santos, aluna da 2ª série do Ensino Médio da Escola Palmira Gabriel. 

Tecnologia e educação ambiental - Já no projeto “Foguetes Verdes”, a proposta é utilizar o papel semente na estrutura ou no revestimento de foguetes produzidos pelos alunos. Após o lançamento e a queda em áreas adequadas, as sementes presentes no material podem germinar e contribuir para o surgimento de novas plantas.

A partir do lançamento de foguetes para a  participação na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), o projeto se desdobrou em 'foguetes verdes', unindo a reciclagem de papel ao desenvolvimento do papel semente para o reflorestamento.

Os alunos trabalham no desenvolvimento de três tipos de foguetes: um com a ogiva de argila impregnada de sementes, outro com o próprio corpo feito em papel semente, e um terceiro com a ogiva perfurada para a entrada de água."Estamos diversificando os testes. Como não podemos usar sementes muito grandes, observamos que árvores gigantes da Amazônia, como a própria samaúma, têm sementes pequenas perfeitas para o foguete”, explicou o professor Edilson dos Santos Aires, integrante do CISEB na escola Cordeiro de Farias.

Engenharia para enfrentar o calor - Outro projeto apresentado pelos estudantes é o “Engenharia Bioclimática”, desenvolvido pelos professores Eliezer Filho e Tiago Costa, com a participação dos alunos Clarice Santos, Lucas Gabriel, Alice Sofia e Carlos Danilo.

O trabalho dos estudantes está dividido em duas frentes: a primeira utiliza jogos educativos para chamar a atenção do público para as questões relacionadas ao clima e ao conforto térmico. A segunda envolve o desenvolvimento de brises: estruturas instaladas em janelas ou fachadas de casas e edifícios para controlar a incidência da luz solar e reduzir o aquecimento dos ambientes.

O projeto trabalha a inclusão de plantas: plantas trepadeiras como forma de filtragem da luz e da radiação solar, contribuindo para diminuir a temperatura no interior dos espaços.

31/08/2026 15h53
Por Comunicação (Feira do Livro)