Projetos de estudantes da rede estadual destacam ciência e empreendedorismo no Hangar

Iniciativas escolares levam modelos sustentáveis e artesanato para o estande da educação durante o evento literário em Belém


Ciência, criatividade, sustentabilidade e empreendedorismo se encontram em dois projetos desenvolvidos por estudantes da rede estadual de ensino e apresentados nesta sexta-feira (4), na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar, em Belém. As iniciativas fazem parte da programação do “Espaço Educação que Promove”, da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), e mostram como o aprendizado pode ultrapassar os limites da sala de aula.

De um lado, estudantes da Escola Albanízia de Oliveira Lima, localizada no bairro do Souza, apresentam o projeto “Modelando a vida: O Uso de Modelos Tridimensionais Sustentáveis e Metodologias Ativas no Ensino de Biologia Celular”. Do outro, alunos da Escola Estadual D. Helena Guilhon no bairro do Coqueiro, levam ao público o “Arte que Transforma: Macramê – Criatividade, Inclusão e Empreendedorismo”.

Biologia na prática
Na Escola Albanízia de Oliveira Lima, a proposta nasceu de uma dificuldade comum no ensino de Biologia: como tornar visível aquilo que os olhos não conseguem enxergar? Para responder a esse desafio, os estudantes passaram a construir modelos tridimensionais de células e de microrganismos, como bactérias e vírus, utilizando materiais recicláveis e reutilizados.

A professora de Biologia Lorena Cunha, que atua há quase 20 anos na rede estadual, explica que a ideia do projeto já fazia parte de sua trajetória profissional, mas ganhou uma dimensão prática neste ano. Ela explica que o uso dos modelos tridimensionais ajuda a aproximar os estudantes de estruturas que, normalmente, só podem ser observadas com o auxílio de equipamentos específicos.

“O projeto Modelando a Vida, que está sendo apresentado hoje aqui na feira, é um projeto que já vem sendo desenvolvido há muitos anos na minha vida profissional, só que esse ano ele foi concretizado de uma forma bem prática e o objetivo principal dele é construção de modelos tridimensionais priorizando a utilização de materiais recicláveis e reutilizados. Então, a gente construiu modelos de células e modelos de microrganismo, como bactérias e vírus”, explicou.

Segundo a professora, transformar o conteúdo abstrato em um objeto que pode ser manipulado pelos estudantes facilita a compreensão e amplia as possibilidades de investigação durante as aulas.

“Os modelos tridimensionais vêm como esse auxílio para o entendimento, facilitar o entendimento de algo que é microscópico. (...) Quando eles têm um modelo na mão que eles podem tocar, eles podem pesquisar, podem ter maior amplitude do conhecimento, da investigação dessas estruturas, isso facilita a compreensão deles nesse assunto”, destacou.

O projeto envolveu estudantes das seis turmas de primeira série do Ensino Médio em tempo integral da escola. Os modelos produzidos não serão utilizados apenas durante a apresentação na Feira do Livro: a proposta é que permaneçam na escola como recursos didáticos para as aulas de Biologia das diferentes séries.

Entre os estudantes que participaram da experiência está Ana Luiza Bezerra, de 17 anos. Para ela, a construção dos modelos tornou o aprendizado mais fácil, especialmente porque o processo foi acompanhado de perto pela professora.

Ela conta que construir cada parte da célula ajudou a compreender não apenas os nomes das estruturas, mas também suas funções. “Eu fiquei muito feliz quando a Lorena falou que a gente vinha pra cá para poder apresentar e o nosso aprendizado com isso foi muito mais fácil porque a Lorena estava com a gente em todos os momentos. Então, quando a gente ia fazer uma parte da célula ou uma parte de colocar um lisossomo no meio da célula, a Lorena ia lá e explicava. Então foi muito mais fácil da gente conseguir entender o que a gente estava fazendo, onde aquilo funcionava e qual o benefício aquilo tinha pra gente mesmo”, relembrou.

A estudante conta ainda que a experiência contribuiu para a preparação para as avaliações escolares e despertou interesse pela área da saúde. Aos 17 anos, ela já tem planos para o futuro e pretende cursar Fisioterapia.

Protagonismo do aluno
Se no projeto de Biologia os estudantes transformaram materiais reutilizados em ferramentas para compreender a ciência, na Escola Estadual D. Helena Guilhon, no bairro do Coqueiro, em Belém, foram os próprios alunos que levaram para a sala de aula a ideia de trabalhar com macramê.

A técnica artesanal, baseada na criação de peças a partir de fios e nós, passou a ser utilizada como instrumento para estimular criatividade, autonomia, habilidades socioemocionais e empreendedorismo.

A professora de Artes Regiane Oliveira, que atua há mais de 20 anos na rede estadual, conta que o projeto nasceu justamente da observação e do interesse demonstrado pelos próprios estudantes. “Eu observei os alunos a terem essa prática de ficar tecendo na sala de aula essa proposta do macramê. Na realidade, foram os alunos que trouxeram para mim essa proposta. E eu fui uma ponte para eles terem essa visão do empreendedorismo, porque, na realidade, eu queria mostrar para eles que empreender é importante nos dias que nós estamos vivendo”, contou.

A partir do interesse dos estudantes, a professora passou a trabalhar o macramê também como uma forma de estimular o protagonismo juvenil. Os alunos são da primeira série do ensino médio em tempo integral e a atividade foi relacionada às reflexões sobre futuro e às possibilidades que podem ser construídas a partir das próprias habilidades.

Para Regiane, mais do que aprender uma técnica artesanal, os estudantes tiveram a oportunidade de pensar sobre seus próprios talentos e sobre as possibilidades que podem construir a partir deles. “Eu expliquei para eles a importância de o que é que eles pensam sobre a questão do futuro deles. Enquanto protagonista dentro da escola, eles deram a ideia de trabalhar com a técnica do macramê dentro da sala de aula”, destacou.

Do aprendizado para o empreendedorismo
A experiência já ultrapassou os muros da escola. É o caso da aluna Yasmin Fontenele, de 17 anos, que depois de aprender as técnicas, encontrou uma forma de transformar o que aprendeu em uma possibilidade de geração de renda.

“Eu ainda não conhecia, eu aprendi recentemente. E quando eu aprendi, eu gostei muito dessa habilidade que eu descobri em mim. Foi uma coisa maravilhosa, uma coisa que eu não conhecia. Eu comecei a aprender com a professora Regiane. Ela me ensinou todas as técnicas. Eu fui aprendendo todas as técnicas do macramê.”

Hoje, as pulseiras produzidas por Yasmin são vendidas na loja de uma prima. Para ela, além da possibilidade de empreender, o aprendizado também trouxe uma experiência pessoal de descoberta e bem-estar. “Foi muito bom eu aprender coisas novas e relaxar minha mente, meu estado emocional. Foi uma experiência muito nova para mim. Foi uma coisa nova que eu aprendi e eu gostei muito. Foi muito bom aprender. Eu amei”, compartilhou.

Serviço:
A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma realização do governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e segue até o próximo domingo (6), no Hangar, em Belém, nas 09h às 21h, com entrada gratuita.

A Feira reúne cerca de 100 mil títulos em 199 estandes, distribuídos em uma área de 24 mil metros quadrados, além de debates, rodas de conversa, apresentações culturais, atividades infantis, contação de histórias e shows musicais.

04/09/2026 17h27 - Atualizada em 04/09/2026 17h33
Por Comunicação (Feira do Livro)