Projetos inovadores e sustentáveis desenvolvidos por estudantes são apresentados no estande da Seduc
Programação da Feira Pan-Amazônica do Livro mostrou uso de Inteligência Artificial e Robótica, além de projeto de composteiras domésticas
Adolescentes em busca de alternativas para suas comunidades. Estudantes encontrando soluções para necessidades diárias. Pensando em tecnologia e em sustentabilidade, jovens a serviço do meio ambiente. Nesta quinta-feira (3), projetos inovadores da rede estadual pública de ensino ganharam destaque no estande da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), dentro da programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém.
Os representantes da Escola Estadual João Carlos Batista, do bairro 40 Horas, em Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), apresentaram o Projeto “LISER 1: Lixeira Inteligente para Separação de Resíduos”, que utiliza Inteligência Artificial e Robótica na otimização da coleta seletiva de lixo.
“Esse projeto nasce através de uma pesquisa feita junto aos alunos, porque lá na área do 40 Horas tem justamente o acúmulo de lixo. Nós fizemos uma pesquisa de campo e encontramos muita dificuldade no recolhimento desse lixo. Também identificamos pessoas que sobrevivem através da coleta desse lixo e de três materiais, com uma coleta muito acentuada: plástico, metal e papel”, explicou Arthur Queiroz, professor de aprofundamento e um dos coordenadores do Projeto LISER 1. A proposta dos professores foi aprovada pelos estudantes.
“Eles perguntaram se a gente tinha interesse em projetos envolvidos na robótica, e a gente concordou”, contou Raira da Silva, capitã da equipe do LISER 1, acrescentando que “foi uma ideia tanto dos alunos quanto os professores. Eles perguntaram sobre alguma coisa ligada ao meio ambiente, e lançaram essa pra gente. A gente decidiu criar o LISER vendo a situação que estava no nosso bairro”.
'Criação do zero' - E o projeto começou a ganhar forma. Foram cerca de seis meses entre execução e conclusão do protótipo apresentado no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, onde ocorre a Feira do Livro. “A ideia é toda de baixo custo. A programação é toda free, usando nuvens. O treinamento da Inteligência Artificial foi criado do zero. É tudo baixo custo ou nenhum custo. Inclusive a construção da lixeira, usando elementos encontrados no caminho da lixeira. Foram montando e saiu esse produto interessante, que é todo construído com resíduos”, informou Marcelo Mesquita, professor de Matemática e também coordenador do projeto.
Ele explicou que “a nossa Inteligência Artificial foi usada para treinar uma rede neural. E você precisa de dados. Nós coletamos dados na internet, e essas imagens. Fizemos um treinamento com a rede neural e criamos um modelo de reconhecimento que controla toda a Inteligência”. A lixeira é equipada com computador, câmera e braços mecânicos, tudo pensado e construído pelos alunos.
“A principal conversa entre nós, professores, e a direção era justamente isso: o aluno é protagonista, nós somos mediadores. Assim, você vê no olhar dele quando é desafiado, e ele aceita o desafio. Vai lá pro computador, mexe na parte de programação com esses avanços que você está vendo aqui”, disse Arthur Queiroz.
“A gente tá mudando, ajustando até hoje. Ainda tem algumas coisinhas para serem ajustadas. É o nosso primeiro protótipo (LISER). É meio complicado, mas estamos aprimorando”, reforçou Raira da Silva.
A próxima etapa do projeto é levar o protótipo do LISER para a linha de produção, com a construção de novos exemplares do equipamento. “É uma ideia que a gente tem. Esse é um protótipo. Se você usa um computador, ele não pode ser colocado em qualquer lugar. Você tem que reduzir ou substituir o computador por um microcomputador ou algo do tipo, e a gente está trabalhando nisso, pra deixar (a LISER) totalmente autônoma. Botar no lugar, e ela funcionar por conta própria”, disse Marcelo.
Compostagem - No distrito de Murinin, em Benevides (outro município da Região Metropolitana), a comunidade ainda vive muito próxima a uma natureza abundante. Entre árvores frutíferas e pequenas hortas, a comunidade mantém jardins e quintais repletos de exemplares da flora. Entendendo o dia a dia dessas pessoas, alunos da Escola Estadual de Murinin criaram uma alternativa para descarte de resíduos orgânicos e produção de adubo natural. O Projeto “Composteiras Domésticas com o Uso de Baldes Plásticos como Instrumento de Aproveitamento de Resíduos Sólidos” incentivou jovens não apenas a cuidarem da natureza, mas a cultivarem de maneira sustentável.
“Pensamos uma forma de aproveitar os resíduos sólidos e os resíduos orgânicos. Nesse sentido, a composteira encaixou perfeitamente porque ela consegue fazer os dois aproveitamentos”, explicou Suleima Silva, professora de Ciências, Biologia e Educação Ambiental, responsável pelo projeto. “A gente ainda tem, lá na região do Murinin, muitas casas com jardins e plantas frutíferas. Esse aproveitamento dos adubos orgânicos pode ser feito através das composteiras, que as pessoas podem fazer em casa e em suas plantações”, frisou a professora.
“Eu sempre gostei muito de cuidar das plantas. Tinha até pesquisado como fazer o adubo. Aí a professora chegou com esse projeto, e eu fiquei muito feliz de fazer”, contou Paula Monteiro, aluna do projeto. Ela informou que “a gente usa numas plantas que eu tenho lá em casa. Minha mãe tem um jardinzinho, e usamos todos os meses”.
Ampliação - O sucesso do projeto pode render um novo espaço na escola do Murinin. “Estamos com a ideia de implementar uma horta na escola, pois vimos que a composteira consegue manter esse o projeto em pé. Estamos com boas expectativas”, disse a professora Suleima.
O projeto de composteiras ganha, cada vez mais, a adesão dos participantes, e com novas possibilidades. “Pode até mesmo ser uma ideia de empreendedorismo”, ressaltou a professora. A ideia de investir na composteiras anima os jovens. “As pessoas, às vezes, perdem tempo tentando pensar em alguma forma de empreender, sendo que tem coisas bem simples para fazer. A gente, além de mudar o meio ambiente, ainda consegue fazer uma renda mais”, concluiu Paula Monteiro.
Texto: Edson Carvalho - Ascom/Seduc
Por Comunicação (Feira do Livro)






