Estande da Ioepa abre Feira do Livro com dia movimentado


O estande da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa) teve bastante movimento nessa quarta-feira (01/12), primeiro dia da 24ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. O espaço recebeu uma oficina, uma exposição, o lançamento de três livros e ainda a visita do governador Helder Barbalho. 

Jorge Panzera, presidente da Ioepa, destacou o trabalho intenso da equipe. “A participação da Ioepa nessa edição da Feira coroou um trabalho de meses atrás e prepara o espírito e o fôlego para mais quatro dias de aventuras em torno do livro”, afirmou.

Na parte da manhã, houve a oficina de história em quadrinhos de Maick Pinheiro. Na abertura da programação da tarde ocorreu a exposição “Infâncias Violadas”, com ilustrações de diversas campanhas de combate à violência sexual de crianças e do adolescente e ao trabalho infanto-juvenil.

Com 248 páginas e uma vasta informação para professores, educadores, pais e toda a sociedade, o livro “Trabalho infantil: uma análise do discurso de crianças e de adolescentes da Amazônia paraense em condição de trabalho” foi o primeiro lançamento do estande da 24ª Feira do Livro e das Multivozes. A obra é resultado da tese de doutorado defendida em 2014 pela professora e pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Ana Paula Vieira e Souza.

Hoje, Ana Paula é pesquisadora do Programa de Pós-Graduação, Saberes e Linguagens do campus da UFPA em Bragança, mas informa que as pesquisas foram desenvolvidas desde 2007. “Eu escuto crianças. Não importa o que elas falam, eu escuto e não interessa o que o adulto diz nessas interações. O trabalho infantil não é bom”, disse a pesquisadora durante o lançamento do livro.

Segundo ela, no discurso da classe ideológica burguesa a criança precisa trabalhar para não ficar no ócio, mas isso é “um portão para todas as formas de violência e nega o direito da criança e do adolescente de viverem plenamente a sua infância”. O livro custa R$40 e pode ser adquirido na loja no estande da Ioepa.

CÍRIO

Às 16h30, o escritor e pesquisador J.R. Ribeiro lançou “Madona de Plácido – crônicas de uma cidade e seu orago”, de J.R. Ribeiro. Segundo o autor, se trata de um livro de crônicas da história de Belém e do culto a Nossa Senhora de Nazaré, explorando a maneira com que essas duas coisas se uniram e criaram esse “imenso rio de gente” que é o Círio em Belém. “O livro é um exercício literário que propõe uma imersão na história do culto a Nossa Senhora de Nazaré associado ao desenvolvimento da cidade de Belém”, explicou o autor. 

Ele destaca ainda que o livro fala da internacionalização da colonização da Amazônia, com gente de todo o mundo vindo para cá, influenciando e “criando” o “ser paraense” e a própria cidade de Belém. “Ingleses, franceses, açorianos, portugueses, negros do Congo e Guiné-Bissau e muito mais gente veio pra cá e fez a Belém que conhecemos”, observou J.R. Ribeiro. 

Ele informou ainda que Belém estava enclausurada na Cidade Velha e, em vez de crescer esparramada na frente do rio, a cidade tomou um rumo diferente. “Ela veio na direção da Basílica e tu vais vendo que todo o desenvolvimento urbano da cidade vem nessa direção. Tanto que o bairro de Nazaré foi o primeiro a ter bonde elétrico, o primeiro a ter luz elétrica, o primeiro a ter água encanada , calçada de paralelepípedo importado da Europa”, observou.

O livro, para o autor, é para todo mundo que gosta de história e quer ter contato com uma narrativa universal. “As crônicas colocam Belém e Nossa Senhora em uma história universal. Porque se tu imaginares que a imagem de Nossa Senhora vem de Jerusalém, passa 400 anos dentro de uma caverna na península ibérica e, de lá, o culto vem pra Belém nas caravelas, então há todos os elementos de uma história única e também reconhecível”, opinou o autor. O livro de J.R. Ribeiro “Madona de Plácido” , de J.R. Ribeiro tem 308 páginas e custa R$50 reais.

MEMÓRIAS

Encerrando o dia no estande, o livro “Crônicas de Baião” teve o seu lançamento na Feira do Livro e das Multivozes às 21h. A obra tem 370 páginas e reúne crônicas de sete autores de diferentes gerações que narram suas memórias, impressões e vivências tendo como referência central o cotidiano, os costumes, os personagens, o folclore e a cultura da cidade paraense de Baião.

Os cronistas Antônio Fernando Ramos, Jonas Favacho, José de Souza, Josias Coutinho Favacho, Patricia Viégas, Rosinaldo Borges e Thais Pontes usam uma linguagem simples, muitas vezes se utilizando da prosódia e do sotaque dos caboclos para narrar as crônicas, essencialmente memorialísticas.  

Jonas Favacho diz que o objetivo é tornar populares as histórias contadas pelo povo. “Contar histórias deve se tornar uma prática, com as pessoas relatando suas vivências e as crônicas de seu tempo. Os personagens que estão aqui no livro não morrem mais”, observou Favacho.

Segundo o coordenador da Editora Pública Dalcídio Jurandir, Moisés Alves, foi uma satisfação editar e publicar o livro. “As crônicas fazem um resgate do folclore, das manifestações artísticas e das demonstrações culturais e literárias de Baião. É um resgate da memória e da história daquele município que se confunde com a história da construção do Estado do Pará e da região”, afirmou Moisés Alves. “Crônicas de Baião” tem 370 páginas, custa R$40 e está à venda nas lojas da imprensa oficial e banca do Alvino.

Texto: ASCOM IOEPA

02/12/2021 10h21 - Atualizada em 02/12/2021 11h50
Por Ascom (Feira do Livro)