Feira Pan-Amazônica do Livro debate História, Educação Patrimonial e Cultural

Fontes históricas revelam semelhanças entre os municípios de Belém e Bragança, abordadas pelos historiadores Michel Pinho e Dário Benedito


A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, que prossegue até o próximo domingo(06), no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, abordou nesta terça-feira (1º), em uma roda de conversas na Arena Multivozes, o tema “História, Educação Patrimonial e Cultural”. Os debatedores foram os historiadores Michel Pinho, de Belém, e Dário Benedito, de Bragança.

Ambos apresentaram fontes históricas para mostrar a interface dos dois municípios no século XIX. O professor Michel Pinho mostrou jornais da época e fotos que revelam uma Belém rural, não retratada nos mapas e livros de História. “Essa discussão sobre a Belém rural mostra a necessidade de repensarmos a cidade. Claro que existia um processo de urbanização no Reduto, na Campina e no bairro da Cidade (hoje Cidade Velha), mas essa Belém rural ela revela outra convivência importante dos moradores da cidade (Belém) do século XIX. Entre os registros fotográficos rurais apresentados pelo historiador Michel Pinho está uma gravura rural, na qual se observa o prédio do atual Espaço São José Liberto (onde funcionam o Polo Joalheiro, o Museu de Gemas do Pará e a Casa do Artesão) em um cenário totalmente rural, não retratado no mapa da cidade do século XIX.

Há ainda fontes em anúncios de jornais que anunciavam venda de terras rurais em áreas onde hoje estão a Avenida Gentil Bittencourt e outras vias centrais.

Diálogo histórico - O professor Dário Benedito explicou que essa troca de experiência mostrou que a Bragança do século XIX dialoga muito com a Belém do mesmo período. “A gente consegue comungar esses dados, esses bens culturais, aquilo que faz a mediação entre a história e a identidade das pessoas. Essa Bragança dialoga com Belém não somente pela via férrea, mas pela economia, pela cultura e pelas trocas que acontecem entre a capital e o interior, sendo Bragança uma cidade importante naquele momento pelo jornalismo, pela cultura e pela economia que o trem consegue conformar. Trazer isso hoje é bom porque a gente consegue compartilhar e fazer com que o público entenda que a função do historiador não é somente trazer a público esse passado, mas dar significado a ele”, explicou o historiador.

Lucas Tavares, que atua como autônomo, um dos participantes da roda de conversa, disse que foi uma oportunidade única “de conhecer melhor a nossa cultura e nossa história como um todo. Fiquei muito impressionado com a arquitetura de Bragança, que como Belém sofreu muita influência da cultura europeia”, ressaltou.

Andrezza Lima, estudante de História, avaliou que a roda de conversa acrescenta muito à formação dos estudantes. “Esse tema falando do patrimônio dentro de um evento tão grande como a Feira do Livro, nesse espaço maravilhoso, com debatedores tão qualificados, é muito importante. A gente absorve muito conhecimento. Enquanto estudante, a gente se sente muito valorizado”, afirmou Andrezza.

Metas da Feira - Terceiro maior evento literário do Brasil, em 2026 a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes deve gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos incluindo montagem, desmontagem e toda a programação.

A expectativa de movimentação financeira é estimada em R$ 15 milhões em negócios e compra de livros. Estão disponíveis para comercialização cerca de 100 mil títulos, para um público estimado em 450 mil pessoas.

A Feira ocupa 24 mil metros quadrados de área coberta, 100% climatizada. São 199 estandes, nos salões 1 e 2 do Hangar.

A Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é patrimônio cultural e imaterial do Estado do Pará, e representa uma política pública de incentivo e valorização do livro e da leitura.

02/09/2026 11h48 - Atualizada em 02/09/2026 11h50
Por Comunicação (Feira do Livro)