Alunos da rede estadual unem literatura e ciência para debater o meio ambiente na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes

Projetos escolares apresentados no Hangar destacam a poesia de Max Martins e o incentivo à preservação ambiental por meio da pesquisa e da prática científica desde a infância


Unindo literatura à ciência e ao meio ambiente, alunos da rede estadual de ensino transformam a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes em espaço para debater o meio ambiente e a preservação do ecossistema. Orientados pelos professores, crianças e adolescentes desenvolveram projetos reconhecidos no âmbito estadual e nacional, e que agora são apresentados também no Hangar - Centro de Convenções.

No ano de centenário do poeta Max Martins, o autor paraense é tema de um projeto apresentado por alunas da Escola Estadual Jarbas Passarinho, sob orientação do professor de literatura André Aquino, pesquisador das obras do escritor, que conduz o projeto “Em Verdes Eras: Poesia e Ecologia em Max Martins”.

“Esse é um trabalho que relaciona literatura e ecologia. A pesquisa é um resultado imediato do meu trabalho de doutorado, pois senti necessidade de fazer refleti-lo na prática pedagógica na escola. Fizemos planos de trabalho a partir do tema ‘Poesia e Ecologia’, do Max Martins, e durante o ano fizemos uma série de leituras identificando elementos da natureza na obra dele e como esses temas se relacionam com a cultura na Amazônia”, explicou André Aquino. “Desconstruímos essa dicotomia entre natureza e cultura. A poesia é um lugar para pensar questões ecológicas e como contribuir com respostas aos problemas da crise climática”, completou o professor.

Para as três alunas participantes do projeto, a literatura e as obras de Max Martins são mais atuais do que imaginavam. Tanto que elas também devem expor o tema em outros dois eventos, ainda em 2026.

“Na sociedade contemporânea temos esse afastamento do meio ambiente. Vemos essa relação muito distinta entre o ser humano e a floresta. E isso é muito ruim. Max traz esse sentimento nas obras dele. Mesmo sendo obras de meados do século XX, elas continuam muito atuais”, apontou Nina Valente, aluna do projeto, e que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Literatura, em maio. “Max nos incentiva a fazer essa reflexão”, complementou Agatha Costa, também participante do “Em Verdes Eras”.

“Se pegarmos os livros dele e lermos várias vezes, podemos levar para múltiplos aspectos. Os poemas de Max Martins podem nos ajudar a entender o mundo e a sociedade moderna. Ele nos faz entender como o ser humano e a natureza são interdependentes. E nosso trabalho buscar mostrar isso: como ser humano e natureza devem estar juntos, não afastados”, finalizou a terceira participante do projeto.

As impressões das jovens pesquisadoras reforçam a importância de debater sobre meio ambiente e educação.

“Em um tempo que ouvimos tantos discursos problemáticos contra a ciência, contra o conhecimento e contra a leitura, é um grande desafio afetar as pessoas com a literatura. Precisamos mostrar que isso faz parte da nossa vida, fala sobre nós e nos ajuda a ver o mundo com uma outra perspectiva”, aponta André Aquino. “Não adiantaria ser um pesquisador, apenas no sentido de eu ser um cientista e estar em contato com outros pesquisadores. Eu tenho a missão de também formar pesquisadores, formar leitores do Max Martins”, concluiu André.

A formação de jovens pesquisadores, entusiastas pela ciência e meio ambiente, pode começar ainda na infância. E é assim que alunos do Ensino Fundamental I da Escola Estadual Manoel de Jesus Moraes têm os primeiros contatos com temas ecológicos, no coração da capital paraense. Os pequenos cientistas ambientais produziram um herbário, dentro a escola, como forma de preservar a biodiversidade urbana.

“A sociedade precisa compreender, cada vez mais, a importância desse conhecimento para que possamos agir de maneira condizente com o meio ambiente, para que tenhamos, de fato, equilíbrio ambiental”, destacou Deborah Nascimento, professora de geografia e educação ambiental dos pequenos cientistas ambientais. “Através do conhecimento das espécies que estão presentes no ambiente escolar, esperamos trazer uma sensibilidade para que eles possam compreender a importância dessas espécies para o microclima. Que eles possam sentir parte desse meio ambiente”, completou Deborah.

“Nós resolvemos fazer esse trabalho entendendo que nossa escola é voltada para a natureza, com muitas árvores, e eles participaram muito, porque gostam de estar ali naquele meio. Eles adoram estar ali, subir nas árvores, ter essa vivência com esses vegetais”, lembrou a professora Iraneide Abrahão, que também conduz o projeto dos pequenos cientistas ambientais. “Poder vivenciar, andar na escola, conhecer, tocar, estar em contato prático traz uma relação maior de responsabilidade com aquelas espécies. Fazer com que eles possam conhecer de perto, em um conhecimento mais palpável, isso tem um significado maior para eles. E quando se consegue aliar conhecimento com vínculo, conseguimos trazer um aprendizado com mais significado”, ressaltou Deborah.

Aproveitando folhas, flores e frutos caídos das árvores da escola, os estudantes criaram um herbário e catalogaram os exemplares presentes na área da instituição de ensino, discutindo ainda o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 (ODS 12), apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU), apresentando padrões de produção e consumo sustentáveis. “A gente usa todo um método científico. Claro que com alunos do segundo ano do ensino fundamental isso é mais difícil, mas trazemos todo o método e eles contribuem”, garantiu Deborah, que completou. “Eles conseguiram construir um herbário, inclusive as fichas técnicas, com as observações feitas por eles. Eles vão levar consigo para o futuro, para a vida, um conhecimento mais rico”, destacou Deborah.

02/09/2026 10h38
Por Comunicação (Feira do Livro)