Literatura inclusiva é tema de debate sobre diversidade na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro
Símbolo da comunidade LGBTQIAPN+, o cantor paraense empolgou o público com clássicos da música brasileira, canções autorais e homenagens a Nazaré Pereira e Cazuza
A escritora e poeta Telma Cunha e o professor Paulo Maués participaram de um bate-papo na Arena Multivozes sobre a importância da literatura inclusiva, no dia voltado à temática de diversidade e inclusão na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônica, em Belém.
“Para mim, é imprescindível falar sobre inclusão e acessibilidade. As pessoas com deficiência, precisam se ver como protagonistas. E não tem nada mais que potencialize uma pessoa do que a arte, a literatura, a palavra. A palavra germina, floresce pessoas”, disse a poeta.
Telma Cunha se relaciona diretamente com o tema a partir de sua trajetória como escritora e romancista, marcada pela defesa de uma literatura mais inclusiva. Recentemente, seu nome também foi dado à biblioteca da Escola Estadual Princesa Izabel do Atalaia, em Belém.
Para ela, momentos de diálogo com o público são importantes para aproximar a literatura dos leitores. “É sempre uma alegria para mim. Não tem nada melhor para um escritor do que essa troca com os leitores. Eu costumo dizer para as pessoas que acessibilidade e inclusão são palavras lindas, mas que ainda existem só no dicionário. A gente precisa trazer isso para a realidade. A única coisa que nos diferencia de pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência é essa falta de acesso”, ressaltou a escritora.
Plataforma - Para a jornalista Angra dos Reis, que é deficiente visual, a programação é muito mais do que uma oportunidade de acesso à cultura: é uma plataforma de inclusão, pertencimento e valorização da diversidade.
“Programações como essa contribuem muito para tornar a literatura mais inclusiva. Acho que a gente deveria consumir mais obras de escritores com deficiência e histórias que tragam narrativas sobre pessoas com deficiência, porque essa é uma realidade ainda muito desconhecida pela maioria das pessoas. Muitas não sabem como é a realidade de uma pessoa com deficiência. E, para entender isso, não é preciso apenas conhecer alguém com deficiência. Se queremos um mundo menos preconceituoso e menos capacitista, também é importante consumir esse tipo de conteúdo e de literatura”, enfatizou.
O professor e pesquisador Paulo Maués destacou a importância de trazer essa discussão para um evento como a Feira do Livro. “Esse tipo de evento é um momento muito especial, em que nós temos um público considerável, e debater sobre temas como inclusão, debater sobre a literatura do Pará, mas, sobretudo, associada ao tema da inclusão, algo que não é simplesmente uma necessidade; é uma questão de cidadania”, afirmou Paulo Maués.
Ele também falou sobre o incentivo à leitura. Segundo o professor, “o incentivo à leitura é um direito humano básico, não só para pessoas com necessidades especiais, mas sim para todos. Ler é liberdade. Quem lê, viaja!”, garantiu.
A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes oferece serviços de acessibilidade por meio de parceria com o Projeto Lamparina Acesa, da Universidade do Estado do Pará (Uepa). Os serviços são gratuitos, e estão disponíveis durante os nove dias do evento literário.
Texto: Yasmin Costa - Ascom/Secult
Por Yasmin Costa (Feira do Livro)
