'Vozes da Diversidade e Inclusão' debate acessibilidade ao Ensino Superior com especialistas da UFPA e Uepa

Roda de conversa reuniu no evento literário especialistas em Educação e Acessibilidade na abordagem de direitos das pessoas com deficiência


As Vozes da Diversidade e Inclusão guiaram a programação da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes nesta segunda-feira (31). Às 16h30, as especialistas em Educação e Acessibilidade Arlete Marinho Gonçalves, Mônica Carvalho e Izabelle Seabra participaram da roda de conversa “Políticas de inclusão para pessoas com deficiência no ensino superior”.

A conversa abordou pontos importantes sobre a atual legislação brasileira relacionada à acessibilidade e aos direitos das pessoas com deficiência, o trabalho desenvolvido pelos Núcleos de Acessibilidade da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Permanência - Doutora em Educação, Arlete Marinho Gonçalves é diretora de Acessibilidade da Proaes UFPA. “A política de cotas faz com que muitos estudantes com deficiência ingressem nas universidades, e a gente precisa pensar como é que as universidades no Brasil, hoje, vêm se organizando para a permanência desses estudantes. Estamos mostrando o retrato de como as universidades federais vêm se organizando enquanto instituição e programas que venham a beneficiar o acesso, mas especialmente a permanência e aprendizagem de pessoas com deficiência que ingressam no Ensino Superior”, contou a educadora.

Representando o Núcleo de Acessibilidade da Uepa, a coordenadora Izabelle Seabra falou sobre a atuação dessa unidade. “Quando eu penso sobre inclusão, sobre educação especial, na verdade é sobre o ser humano, desde a criança até o adolescente, e sobre o adulto. No Núcleo, nós estamos preparando justamente essa porta de entrada que, na verdade, já existe pela universidade, mas o nosso desafio maior é a permanência, como nós construímos esse plano educacional individual, de acordo com as suas necessidades e especificidades. A gente entende que, dentro da formação do professor muito técnico, às vezes é difícil entender como elaborar um plano dentro de uma especificidade, por isso estamos aqui trabalhando e discutindo isso”, ressaltou a psicopedagoga.

Conquistas - Uma das fundadoras do Projeto Lamparina Acesa, que atua na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, Mônica Carvalho é deficiente visual. Doutora em Educação, ela participou da mesa e abordou as mudanças desde a época em que foi universitária.

Ela contou que, “historicamente, o espaço universitário não foi criado para pessoas como eu, para pessoas com deficiência. Mas esse cenário ele vem se transformando a partir de muitas conquistas, de muita luta da sociedade civil e do movimento de pessoas com deficiência. Essas conquistas em muitos dispositivos legais garantem a presença de pessoas com deficiência nesses espaços. A partir dessa transformação, hoje nós temos políticas de inclusão que garantem esse acesso. Mas, a gente precisa avançar muito, garantir sobretudo a nossa permanência e a conclusão dos cursos. Assim, também garantir mecanismos e ações para que nós sejamos inseridos no mercado de trabalho tão logo concluído nossos cursos de graduação”.

Professora da Educação Básica, Emanuele Pires avaliou positivamente a programação. “Eu acho extremamente importante. Sou professora da Educação Especial, e a palestra discutiu justamente sobre políticas públicas de inclusão. A gente quer que essa educação chegue para cada vez mais escolas. Que chegue aos nossos alunos, porque todos têm direito à acessibilidade”, frisou Emanuele Pires.

Texto: Juliana Amaral - Ascom/Secult

01/09/2026 09h15
Por Juliana Amaral (Feira do Livro)