Ioepa lança dois livros que retratam aspectos da obra de Dalcídio Jurandir

Publicações são resultados de mestrado e doutorado e mostram a força da influência da obra Dalcidiana


As obras do escritor paraense Dalcídio Jurandir foram o mote de dois livros lançados no domingo (17) no estande da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), no dia do encerramento da 26ª  Feira Pan-Amazônica do livro e das Multivozes, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. As duas obras são publicações da Editora Pública Dalcídio Jurandir, da Imprensa Oficial do Estado (Ioepa).


A tese de doutorado da professora Regina Barbosa da Costa se transformou no livro “Dalcídio Jurandir, leitor e criador de personagens leitores na Amazônia paraense”; e a tese de doutorado de Max Silva do Espírito Santo acabou sendo publicada com o título “O mundo do vaqueiro no romance ‘Marajó’”. Ambos os autores autografaram as obras no estande da Ioepa na tarde de domingo (17).

A linguagem dos dois livros foi pensada para atingir tanto o público acadêmico como o leitor comum, que tenha interesse na obra dalcidiana. 

Regina Barbosa relatou que sua pesquisa “Dalcídio Jurandir, leitor e criador de personagens leitores na Amazônia paraense”, resultado da tese de doutorado da pesquisadora em estudos literários pela Universidade Federal do Pará (UFPA), aborda os mostra uma quantidade enorme de referência literárias das 10 obras que compõe o Ciclo do Extremo Norte de Dalcídio. Essas referências vão desde romances clássico e populares da época até publicações como revistas, almanaques, etc. “Meu trabalho aborda a questão das leituras que o Dalcídio fez e como elas estão ligadas e referenciadas em diversos personagens de sua ficção”, explicou Regina.

Com 307 páginas, o livro apresenta, segundo Regina Barbosa, um novo olhar sobre a produção ficcional do escritor a partir das leituras dos personagens-leitores. “Foi possível recuperar textos de grande sucesso, que circularam na região amazônica, no início do século XX, mas que ficaram adormecidas, durante muito tempo, em estantes, livreiros, sebos, leiloeiros, bibliotecas físicas e virtuais e que agora é possível revisitar por meio deste estudo”, explicou a autora.

Regina Costa se debruça sobre o ciclo do Extremo-Norte que consagrou Dalcídio com o Prêmio Machado de Assis, principal prêmio literário brasileiro, em 1972. Um conjunto de livros que reúne dez romances do marajoara, sendo eles: “Chove nos Campos de Cachoeira”, “Marajó”, “Três Casas e um Rio”, “Belém do Grão Pará”, “Passagem dos Inocentes”, “Primeira Manhã”, “Ponte do Galo”, “Os Habitantes”, “Chão dos Lobos” e “Ribanceira”.

Vaqueiros - O professor Max Silva do Espírito Santo teve acesso à obra de Dalcídio somente quando foi fazer seu mestrado em 2019. “Eu nunca havia lido nada de Dalcídio. Minha tese era sobre a vida do vaqueiro marajoara. Na entrevista do processo seletivo fui provocado pelo professor Luiz Saraiva para que lesse o romance ‘Marajó’. A partir daí surgiu a minha pesquisa que aborda a ficção de Dalcídio com a realidade do vaqueiro da ilha do Marajó”, concluiu Max Silva. 


DALCÍDIO JURANDIR

Nascido em Ponta de Pedras, no Marajó, trabalhou como lavador de pratos, revisor, Secretário Tesoureiro da Intendência Municipal e colaborou em diversos jornais, como o “Estado do Pará”. Ganhou o Prêmio Dom Casmurro de Literatura pelo romance “Chove nos Campos de Cachoeira” e o Prêmio Machado de Assis de Literatura da Academia Brasileira de Letras, entregue por Jorge Amado. Em 1974, recebeu o título honorífico de "Honra ao Mérito" pelo Governo do Estado do Pará.

texto: Julie Rocha (Ascom Ioepa)

17/09/2023 17h13 - Atualizada em 17/09/2023 19h15
Por Comunicação (Feira do Livro)